Quinta-feira, Janeiro 17, 2008

MARGARIDAS

É inevitável escrever sobre a viagem porque consome quase todos os meus pensamentos. Eu não quero mais ir. Eu nunca quis conhecer a Europa, eu tenho um rancor histórico de Portugal e tudo que amo está bem aqui, nessa cidade cinzenta, onde me sinto tão confortável, escondida atrás do meu mau humor.

Eu não quero mais ir. Eu fico paranóica listando tudo que deveria ter feito e não fiz e, sério, não farei. Eu sinto como se não fosse voltar, é estranho. E eu já estou com saudades, é idiota.

Insisto em lembrar as pessoas o quanto as amo, o que não passa de um suplício sincero pra que não me esqueçam. Despeço-me dos meus cachorros várias, várias, várias vezes por dia. E ainda choro a morte da minha Gorda.

A primeira coisa que abandono sem dificuldade é sempre estágio, trabalho, essas coisas. Não gosto, não me apego, não acho que o trabalho dignifica, acho que escraviza e é a primeira coisa que abandono como se estivesse tirando enormes espinhos de ferro dos ombros.

Faculdade também, tranqüilo. É um saco. E quem gosta de Direito, ou mente, ou não sabe o que é bom na vida. Claro que tem coisas válidas, e mais claro ainda que eu não vá jogar tantos anos da minha vida no lixo, nem mesmo contrariar as trezentas mil orientações vocacionais que fiz. Então sim, terminarei e provavelmente trabalharei com isso, numa área bem alternativa que traga algum bem pro mundo e não pras corporações capitalistas. Ou talvez jogue tudo pro alto e vá morar numa tribo indígena. Sou muito instável até pra mim mesma adivinhar meu próprio futuro. Mas como dizia, Direito não é a paixão da minha vida, não mais, e trancar o curso chega a ser um alívio.

Mas não achei que sofreria pra deixar as pessoas. Afinal é tão pouco tempo. Mas estou triste. Querendo levá-las comigo a qualquer custo. Eu gosto tanto delas que dói. Eu vou morrer de saudades. Eu vou passar fome lá, eu odeio azeitonas e óleo de oliva. A comida aqui de casa é muito boa, e tem muitas opções, é tipo buffet! Meu pai e minha vó não comem frango, meus irmão não comem peixe nem porco, minha mãe não gosta de macarrão, eu não posso comer feijão e pronto, aí está, há sempre vários pratos diferentes e eu adoro isso.

E eu adoro meu quarto, super escuro, nenhum outro lugar no mundo é tão escuro, e nem tão meu. E eu preciso levar a minha família pra eu poder ficar brigando, porque só com eles eu posso brigar o tempo todo e segundos depois fingir que nada aconteceu com a maior cara lavada.

Ao mesmo tempo, não há nada que eu goste mais do que viajar, e eu to fazendo isso. Estarei muito feliz. Livre, despreocupada, feliz, viajandinho.

Sou assim desde criança. Teimosa e do contra. Se não posso, quero, se posso, não quero mais. Aí quero de novo. Aí me perco em mim mesma em vontades repetidas disfarçadas de outras. E acabo me contentando de um jeito ou do outro ou de todos.

Infinitas margaridas despetaladas me rodeiam. Sou muito decidida e sempre consigo o que quero. Tudo até hoje que quis, consegui. Meu problema é saber o que quero. Ou melhor: assumir.

Danielle Leal, às 02:47

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Quarta-feira, Novembro 21, 2007

ALGUÉM ARRUMA MEUS COMENTÁRIOS PELO AMOR DE DEUS!!! EU DESISTO!!!

Danielle Leal, às 10:33

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APRECIE SEM MODERAÇÃO

Tataipirinha
Ferveja
Vequila
Amandarula
Nati Nobilis
Andreyer
Sminioff Ice

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Somos impagáveis. Como amo vocês!

Danielle Leal, às 10:32

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EU VOU, EU VOU, PRA PORTUGAL EU VOU!

E foi “assim ó” : depois de meses consumida por uma ansiedade incontrolável, e atualizando a página de e-mail a cada 4 minutos, finalmente, minhas borboletas do estômago se acalmaram e eu respirei fundo.

E então escrevi pra minha amiga: “guriaaa, a gente vai, eu sei disso, eu preciso ir.” Exatos 40 segundos depois disso, toca meu telefone com a notícia de que sim, eu iria. Coincidência? Pressentimento? Assustador. Simplesmente bizarro, não?

E as borboletas voltaram mais intensas do que nunca. URRULL!

Danielle Leal, às 10:27

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Segunda-feira, Novembro 19, 2007

NÓIS SEIS! EU COM ELA, EU SEM ELA...

Éramos seis. Trocávamos confidências venenosas e nos espantávamos com a nossa afinidade, apesar das diferenças. E somos muito diferentes mesmo.

Vanessa é patricinha, gosta de novela e pagode. Passa horas a fio alisando o cabelo e tem incontável número de bijuterias. Meiga e gentil. Curte uma tequila. Ouro.

Bianca é minera e como tal, sossegada, tranqüila, tudo jóia. É casada, tem filho, e sabe cortar pizza melhor que todas nós. Tem um jeitinho adorável. Acho que não bebe, pelo menos não tanto quando eu.

Nadine é o elo do grupo, porque ninguém consegue brigar com ela durante muito tempo. Tem o melhor caderno. É super eclética, empolgada. Gosta de música latina. Beija os cachorros. Curte uma bera.

Tereza gosta de carro, de corrida, dessas coisas que as meninas comuns não entendem. Ela é muito parceira e às vezes de lua. Descobriu que Floripa é o melhor lugar do mundo. O dia dela tem 34 horas e dividimos nossa paixão pel’O Rappa. Curte uma champagne.

Dayane é sensacional. Inteligente, sensata, vivida. Reclama pra cacete, me deixa no chinelo. Está sempre alguns anos na nossa frente e é muito cabeça aberta. Curte um bom vinho, num restaurante legal aí pelo mundo.

E tem eu, a problemática. Porque analiso mais as coisas do que deveria. Um pouco inconseqüente. Difícil de conviver, mas vale a pena. Pura emoção e drama. A que mais dança e que mais palpita. Curte vodka.

Éramos seis. Hoje não vejo mais assim, apesar da negativa geral de todas. Talvez a culpa tenha sido minha, talvez tua, acho que nossa. Pouco importa. Não somos mais tão próximas, não fofocamos nem rimos juntas como antigamente. Não saímos mais pra jantar e falar besteira e passar vergonha.

Novas pessoas chegaram também, outros caminhos surgiram. Algumas desavenças, algumas grosserias, algumas intrigas sem intenção. Vida. As coisas acontecem dessa forma, quem pode evitar?

Mas afinidade é algo que não muda. Passem 5 minutos ou 30 anos, você vai ver a pessoa e vai ser tudo igual. E vamos chorar de rir uma da cara da outra, e lembrar das mesmas histórias que nunca perdem a graça. Nos achamos e nos perdemos aos poucos. Mas o mundo dá voltas. Éramos seis. E sempre seremos.

Danielle Leal, às 11:10

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Sábado, Outubro 06, 2007

SE REAL

Quase como um castigo. Quase como se eu devesse perdê-la pra saber o quanto a amo. Bastante injusto eu diria, porque eu já sei, e fico repetindo isso aos quatro ventos. Amo-a intensamente apesar das contrariedades e dos maus bocados que já passei. Parei de querer que tudo seja do meu jeito e descobri que desse jeito é também muito bom.

Tá bom, confesso, algumas coisas ainda têm que ser exatamente como eu planejei ou mimadamente quero e pronto. Mas digamos que minha intolerância tem diminuído. Inversamente proporcional à admiração pela diversidade e seus detalhes . O que continua constante nos últimos tempos é a minha felicidade. Total. Um tanto quanto exagerada até. Um equilíbrio que me faz tão bem e que me faz adorar tudo que ela faz. Defeitos, inclusive.

Nada pode atrapalhar isso. Eu achava. Agora, devo admitir, estou perdendo o sono. Estou com muito medo. Se for verdade, é quase um castigo. Uma tremenda brincadeira de mau gosto. Filha da putice mesmo.

Então espero. Com toda a ansiedade e preocupação que você pode imaginar. Fingindo que nada está acontecendo. Que nada vai nos separar. Que não vou perdê-la, que seremos felizes para sempre. Espero, somente.

Espero que não.

Danielle Leal, às 01:08

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Segunda-feira, Junho 11, 2007

O simples fato de saber que eu não vou mais te ver, me traz um conforto imediato. Como quando você está numa trilha desconhecida, na mata, de madrugada, mas tem uma luzinha patética de celular: traz uma falsa sensação de segurança. Tão necessária.

Pelo mesmo motivo que não me deixo comprometer nem com a compra do leite que eu mesma irei tomar hoje a noite, não me envolverei com você de jeito algum. Quero distância. Por comodidade, facilidade, independência. Talvez medo sim, quem sabe. Certamente por tédio.

É isso. Em muito breve tudo que você fizer me parecerá ridículo. Não só as tuas atitudes verdadeiramente ridículas, mas as tuas roupas, teu jeito de respirar, tudo. Eu vou te odiar no princípio. Depois vai ser só repulsa mesmo. Ao longo dos anos vou me arrepender, lógico, mas a intensidade com que vivenciei aquilo tudo estará de certa forma ainda em mim, me azucrinando, me alertando de que na época a decisão foi adequada e coerente.

Quando penso tudo isso, não sei... Prefiro sair correndo mesmo, confesso. Ouvi esses dias que não existe rua sem saída se você souber olhar pra trás. Eu ando a primeira quadra e volto. Não espero dar errado. Também não espero dar certo, pode ser. Mas costumo me boicotar antes que alguém o faça. Traz uma falsa sensação de segurança. Tão necessária.

Danielle Leal, às 21:20

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Terça-feira, Abril 10, 2007

Ficou olhando o pacotinho e não abriu. Ficou com raiva por ter escolhido mal, tinha pouca jujuba vermelha... as melhores. Jogou no chão e saiu cabisbaixo. As pequenas frustrações diárias há muito o vinham torturando. Somadas refletiam o mau humor que exalava logo cedo. Uma vez alguém lhe disse que pensava sempre que ele chegava ao trabalho: hoje vamos brigar.

Em verdade, nunca houve briga alguma, porque lá pelas 9:30, depois do lanche, voltava a normalidade esbanjando sorrisos nervosos e corriqueiros, que ao longo dos anos tornaram-se muito esparsos. Nem mesmo as jujubas coloridas lhe traziam a mesma satisfação, quem dirá a falida carreira e a vidinha vazia.

Às vezes arrependia-se por não ter se esforçado mais. Às vezes lembrava que os amigos dedicados, que trabalhavam por puro gosto e não por necessidade, até estes estavam fudidos. Sentia-se então um privilegiado, por ter sido displicente a vida toda. O que, de fato, o levou a porra nenhuma, mas no mínimo, teve tempo de aproveitar coisas simples como farofadas nas cachoeiras e bebedeiras no meio da semana. Ironicamente a mesma simplicidade que hoje lhe perturba e infelicita.

Danielle Leal, às 17:17

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Terça-feira, Abril 03, 2007

Dear Peter

I've been lying to you. I'm not the person you think I'm, so stop asking me to be your girlfriend again, I don't want to.

I shouldn't be proud of everything I did to you, but, to be honest, I'm pretty glad. You are the most ingenious person I've ever known. And, probably, if I had not broken up with you, we would married me, wouldn't you?

The truth is I have been seeing other people. Actually, there is this guy, who works here, that I've been dating for almost two years now, I guess. He is everything I always wanted for me. He is handsome, a famous lawyer and so much better than you in bed!

Anyway, I understand that you love me but you really need to move on with your life. Stop calling me all the time! Your baby crying annoys me.

Now that I told you, I hope you'll be able to pay more attention in your next girlfriend. Don't trust totally in everybody.

Best wishes,
Sally

Danielle Leal, às 15:55

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Quinta-feira, Março 08, 2007

Calorosas discussões sobre a menoridade penal, a mais-valia, o escravismo das empregadas domésticas e dos estagiários, os assaltos rotineiros ali por perto, o porre do fim de semana, a blusinha mais cara, o piá mais gato, tinta de cabelo. A futilidade é permeada aos poucos por um ou outro assunto de certa relevância para a espécie humana e às vezes para o planeta. Mas só pra criar discórdias entre amigas e estragar o clima animado do recreio, já que, como diria a menina que tem problemas com o mundo, é questão de ideologia.

Eu odeio assumir que ela está certa. É questão de ideologia, é questão de qual o lado do abismo você está ou pensa que está e se você consegue enxergar que por mais profundo que ele seja, a largura é um passo. É só estender a mão. E acabar com essa palhaçada. O sangue da tua veia é da mesma cor que o meu e que o deles.

Criaram-se monstros projetados e bitolados para acreditar que a única realidade existente é a atual e que sempre foi assim. E para legitimar o sistema vigente, criaram os direitos, e para fabricar outras criaturas irracionais criaram a mídia. E as pessoas vão morrer todas de câncer das porcarias que comem sem saber que mata, mas que eles (os donos do planeta e dos seres vivos aqui presentes) sabem e não se importam, porque não tem consciência. Porque se escondem atrás da abstração de uma pessoa jurídica qualquer ou de um acordo político ou de um principio maquiavélico intrínseco e petrificado que justifica e incentiva as arbitrariedades cometidas hoje.

E o povo não se revolta. Marx errou. O povo não se revolta e não se une, está iludido demais pra se libertar. O mundo vai acabar antes do capitalismo se transformar em qualquer coisa como uma evolução natural histórica. Não é idiotice mais acreditar que o capitalismo vai durar pra sempre e ignorar milhares de anos de transformações. Porque esse sistema é aids, um vírus mutante, que vai se auto-consumir pra se auto-alimentar. Que vai destruir o planeta, como já está fazendo, não há futuro, o pra sempre é daqui a pouco. O povo não vai lutar. Está condenado a ser sugado até a morrer. E estamos morrendo.

Danielle Leal, às 17:34

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Sábado, Fevereiro 03, 2007

Vejo nos teus olhos o reflexo de um mundo perdido, de uma geração confusa. Vejo nas tuas palavras conceitos que te foram vendidos. Vejo no seu peito uma angústia frustante e uma raiva expansiva. Vejo autoflagelação para os outros, daquilo que não quer ser, mas que será e eles são. Vejo um preconceito que não te permite ver nada além do que você quer ver. Do que te deixam ver.

E não vejo resposta alguma, só continuidade da amarra. Lamento intensamente.

Se os sonhos são dilacerados com seu consentimento, mais por descrença que por convicção, só me resta tentar reconstruí-los. E mais por mim mesma que por você. Na verdade, por todos nós. Para que algo faça sentido. Para que eu tenha um sentido. E tenha sentido algo além do teu vazio. Sem tido grilhões.

Danielle Leal, às 20:24

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Sábado, Novembro 18, 2006

Toquei a campainha duas vezes já. Mais que isso é falta de educação. Ninguém me disse que é, eu sei que é. Tem coisas que você sabe que é falta de educação naturalmente, mesmo que não seja educado. Eu, por exemplo, sou uma pessoa um tanto quanto estúpida. Resultado da minha impaciência. Não tolero as pessoas, não suporto o mundo. De vez em quando eu tento fazer coisas gentis ou educadas. Como não tocar a campainha mais de duas vezes, só que me irrito. Agora não sei se a pessoa realmente ouviu e fico aqui esperando. E pode ser que não tenha ninguém, essa hipótese é a pior, to esperando por nada.

Decido arrumar a gravata e ela abre a porta bem na hora. Que merda. Agora vai achar que eu tava preocupado com a minha roupa. Claro que eu tava, troquei de camisa três vezes, mas ninguém precisa saber disso, nem suspeitar. Adorei seu vestido. Brigada, sorrindo. Tudo me soa óbvio demais nesse momento. O terno, o vestido, o elogio, eu tentando me passar por educado, não sendo. Ela sabendo que eu não sou, e que to me esforçando. Eu constrangido por saber que ela sabe que eu sei que ela sabe. Enfim, achei que noivar era mais fácil. Chega um ponto na vida que você já tá tão preso, que noivar parece ser mais livre. Uma coisa certa, como se daí você pudesse fazer o que quiser que a pessoa já é tua, você não vai perder. Um alvará eterno. Mas é mentira. Eu to aqui: de terno. Educado. Chegando nesse restaurante chique, com esses pratos que vem a metade da comida pelo dobro do preço.

Me sinto culpado. Deveria estar aproveitando, deveria ser um dos momentos mais felizes da minha vida. E é. Mesmo soando forçado - sendo forçado pra mim - eu to feliz. Eu amo ela. Ninguém me explicou ou me ensinou. Você ama a pessoa porque sim, você simplesmente sabe. Por isso eu toco a campainha duas vezes. Por isso eu to feliz e é um dos momentos mais importantes da minha vida. Porque é um dos momentos mais importantes da vida dela, por isso. E se eu tiver que ser educado hoje e sempre, tudo bem, um mal pequeno por um bem maior, normal. E é normal me esforçar pra que tudo saia perfeito, mesmo tendo certeza que nada é perfeito sempre. E depois reclamar e ser estúpido quando não der, e metralhar a campainha pra descontar minha frustração.

Danielle Leal, às 19:26

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Segunda-feira, Novembro 13, 2006

Quanto vale uma vida?

A minha vale uma fração de segundo. A sua também. Então, não desperdice.

Danielle Leal, às 21:57

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Sábado, Novembro 11, 2006

O que foi a Fergie caindo? hahaha

Danielle Leal, às 14:06

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Quinta-feira, Setembro 28, 2006

Passou insistentemente a mão nos cabelos. Fazia isso sempre que estava entediado. As pessoas pareciam não entendê-lo nunca, mas não é porque não sabia se explicar, é porque eram burros. Ao pedirem um outro exemplo, ele limitava-se a repetir o anterior trocando apenas os nomes dos personagens. Pelo menos ele troca os nomes, tem gente que nem isso. Sentia-se entediado, eu sabia, eu sempre soube.

Olhou-me num ato de confissão, quase um apelo, quase como se eu pudesse mandar que calassem a boca. Escolheu-me talvez porque em outras situações eu já o teria feito, mas não dessa vez. Gostava de vê-lo sofrer em seu tédio absurdo, de vê-lo clamar por mim. E de certa forma ele entendia que de nada adiantaria minha interferência. Era um carma seu. Ou nosso. E por isso, mesmo com a minha ausência mental, com ou sem meus protestos usuais, ele sempre me deixava em paz. Eu não ajudava, mas também não atrapalhava. Eu o entretinha.

Danielle Leal, às 15:58

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Terça-feira, Setembro 26, 2006

Eu costumava brincar de boneca com a minha irmã e de joguinhos de memória. De casinha não, porque fazia muita bagunça e meu pai reclamava, mas nunca nos queixamos. Agora me ocorre que ela nunca se queixou de nada, tudo estava bom, ela sempre estava muito feliz. Um criança meiga, tímida, tão atenciosa que mais parecia uma escrava de todos. Desleixada consigo mesma, vivia para os outros. Linda, com cachos negros e olhos cor de mel. Quantas vezes não lhe disse que era ingênua demais e que ninguém merecia a preocupação dela, que ela devia deixar de ser burra e cuidar da própria vida. Mas ela parecia feliz assim, e nunca me ouviu. Ela tinha 8 anos, a gente foi até a banquinha comprar babaloo e na volta eu a empurrei quando vinha o Santa Cândida/Capão Raso. Alguma coisa nela me perturbava, e agora acabou, senti-me aliviada e no enterro não levei flor alguma, pra ela tudo tava bom, com ou sem flores.

Danielle Leal, às 16:31

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Segunda-feira, Setembro 18, 2006

Àquela que sabe todos os meus segredos e que faz meu mundo tão mais feliz, parabéns. Por ser única, maravilhosa e ter a verdade nos olhos que brilham. Ela canta, dança e encanta. E me pergunto como consegui viver sem ela, porque já não conseguiria mais. Deus não me deu nenhuma irmã, mas me deu uma "doutrinadora". Extravagantentemente minha melhor amiga.

Sua velha, te amo infinitamente!!

Danielle Leal, às 22:42

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Terça-feira, Setembro 12, 2006

ESTAMOS EM REFORMA PARA MELHOR ATENDÊ-LO. DESCULPE O TRANSTORNO.

No futuro vai faltar água, vai faltar comida, mas não vai faltar televisão, nem roupas de marca. Os grupos paraestatais terão vencido, mas não serão Estado porque nem eles querem nosso Estado falido. Serão eles apenas a elite, o medo, a volta do totalitarismo, mas com uma legitimação tão-somente prática, da violência. Todas as leis serão piadas utópicas esquecidas e terão por utilidade no máximo alimentar traças e ser ninho de ratos. Todo mundo vai ter ipod. As pessoas vão matar umas as outras mais por desespero que por vingança. Haverá caos absoluto. E todas as mulheres serão loiras com mechas e a lipo será permitida já no útero da mãe.

Danielle Leal, às 15:28

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Segunda-feira, Setembro 04, 2006

Abortados os planos de explodir o Detran.

Eu passei. E quando o examinador perguntou se era o meu primeiro ou segundo teste, respondi convicta: é o terceiro. Pois é, eu neguei que era o meu quinto, mas Pedro negou Jesus, é bem pior. O importante é que mesmo na quinta tentativa, depois de 2 anos e meio, eu passei. Foi lindo. Eu tenho carteira de motorista! Nem acredito.

Danielle Leal, às 17:25

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Sexta-feira, Agosto 18, 2006

JUST DO CLEAN IT

Ela é rosa. Toda rosa, toda estranha. Sabe aquelas pessoas que tem o estereotipo de estudante americano que vai metralhar o colégio inteiro? Então, ela é bem assim, só que rosa. Pode ser encontrada no banheiro, lavando a mão ou a mochila, porque tem aquele transtorno obsessivo-compulsivo e é só o que ela faz.

Passa a vida limpando e desinfetando a si mesma e ao mundo. Penso o quanto ela deve sofrer, tendo alucinações de germes mortais. E em quanto ela deve me achar porca. E nas comunidades que teria no orkut. Cheguei inclusive a lista-las: Uma mão lava a outra; TOC; Fãs da mônica geller do friends; Protex; Adoramos o ratinho do castelo ratimbum; Sou pobre mas sou limpinha; Eu odeio o racionamento; Emo não, sou mais omo...

Passei a observar suas manias bizarras de proteção, tais como embalar a mochila em papel toalha ou desviar para não encostar em ninguém. Fico imaginando que o mundo dela é todo rosa, como ela. E que nele as pessoas arrotam rosa. E que ela deveria usar tipo uma capa a vácuo ao redor dela e respirar diretamente num tubo de oxigênio, porque assim teria menos trabalho e seria mais feliz.

Não sei se ela é feliz. Gostaria que fosse. Sempre imaginei que pessoas rosas seriam muito felizes, mas ela não me parece muito feliz não. Soa sempre preocupada, apavorada, estranha e rosa. Eu acho que ela é um desenho animado ou um personagem de livro de psiquiatria. Ou, ela é só mais uma das minhas visões.

Danielle Leal, às 21:55

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Segunda-feira, Agosto 07, 2006

Da série: Crimes (im)perfeitos

Atenção, criminosos!

Pensem antes de cometer um crime. Não estraguem tudo, tenham pelo menos um gostinho de vitória sem serem descobertos ridicula e imediatamente.

A começar pela nossa idiota loirinha que matou os pais. Estudante de direito, ainda por cima acabando com a nossa imagem. Deixou a arma! A primeira coisa que bandido pega é a arma... e mais: qual o ladrão que vai fazer um assalto com tacos de beisebol?

Tem também o infeliz estagiário que pegou a senha do chefe e cadastrou três nomes na previdência, acho. Mas tem que ser muito burro pra aparecer de audi. Estagiário com audi. Aham.

Mas o que eu mais gosto, foi o assalto a uma rádio no interior do Estado. Todos os ouvintes chamaram a polícia. Troféu Joinha, mesmo.

Danielle Leal, às 19:46

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Sexta-feira, Agosto 04, 2006

Às vezes penso que descobri a verdade. E então, acredeço por tê-la forçosamente esquecido, escondido, ignorado. Ou, como preferem, superado. Minha vida agora está mergulhada na mediocridade e na futilidade que combati aos gritos histéricos. Meu mundo passa a girar sobre mim. Um eixo, que nesse momento, me parece não só o mais correto, como o único. O qual eu nunca deveria ter perdido.

Se aquilo era verdade, nunca saberei. Espero que não seja, por fraqueza, temor, por piedade de mim e de todos. Começo a achar que o conformismo tem íntima ligação com a felicidade e que a ignorância deixa tudo mais saudável. Minha matrix é real, prazerosa, magnífica e minha. Parei de pensar, comecei a viver e descobri que é como olhar pro relógio achando que ainda é meia-noite e já são quatro.

Danielle Leal, às 22:51

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Sábado, Julho 22, 2006

TEU CABELO MORREU

A notícia veio assim, de supetão, da voz rouca de uma velha que eu nunca tinha visto na vida. "Não adianta, isso aqui tá podre. Se você tentar pintar, não vai pegar, se tentar descolorir ele vai quebrar na raiz e você vai ficar careca." Mas e... "Não tem mas. Teu cabelo morreu." Que que eu faço? "Espera crescer." Eu fui embora, desolada.

Cabelos não morrem, imagine. Chorei. E tentei ressusitá-lo, como se eu fosse Deus. Ou a Eco. Tentei descolorir por 1 hora e meia. Ele não quebrou na raiz, eu não fiquei careca! Mas não descoloriu. Tentei pintar e a tinta mal pegou, quando eu lavar vai sair tudo. Meu cabelo morreu.

Eu não sabia que cabelos morriam, e foi horrível descobrir isso em mim. E sem dúvida, meu vício mais amado foi dilacerado do nada. Me tiraram uma das coisas mais prazerosas da minha vida. E eu chorei. E imaginei como serão os próximos anos em que eu terei um cabelo medonho e manchado, esperando ele crescer. E eu não tenho outra opção. Tudo tem solução, menos a morte. Minha maior futilidade agora acabou. Meu cabelo morreu. Estou de luto.

Danielle Leal, às 21:22

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Sábado, Julho 01, 2006

Sinto-me assombrada pelos meus mortos vivos os quais matei, ou mataram-se. A uns esforço-me para que continuem mortos, de forma racional e calculista. A outros, nada pude fazer, são somente conseqüência imediata de uma sucessão de atos desprezíveis e incompatíveis.

Mas nenhum enterrei. Forçosa ou naturalmente, morreram pra mim, mas seus corpos permanecem aqui ao meu redor. Incomodam-me as lembranças, atemorizam-me e fragmentam otimismos futuros. Essa presença putrefata me contamina. Adoeço. Sufoco. Suplico para que sejam absorvidos pelos vermes até que sumam por completo, pra que eu tenha paz.

Chorei por cada um, entre soluços e devaneios e gritos explosivos ou contidos. Chorei, já arrependida, mas sempre muito convencida e matei. Alguns com muitos e muitos golpes, vezes cruéis, vezes arranhões insignificantes. Outros com um tiro certeiro. Todos gemem aos meus pés, clamam-me aos ouvidos por atenção, por perdão ou por desprezo, libertação. Eu os desprezo sim, mas não esqueço. Mas não esqueço.

Danielle Leal, às 18:10

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Segunda-feira, Junho 12, 2006

A redoma de vidro quebrou e a menininha ficou ali parada, olhando os caquinhos e respirando um cheiro de pipoca doce, que era uma delícia. Saiu, e morreu em seguida. Esses bichos de gaiola nunca conseguem sobreviver quando soltos, disse a mamãe tartaruga para os peixes azuis-cintilante.

Danielle Leal, às 15:22

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Danielle Leal. Um dia ela vai se irritar com você também. Não é que não goste de viver, é que ainda não descobriu o motivo. Escreve por passatempo, por desabafo, pra espantar os próprios medos e pecados. Não é louca, opinões contrárias não valem. Um pouco depressiva, um pouco suicida, um pouco pessimista. Extremamente exagerada, dramática e impulsiva. Vive mais no passado que no presente, não acredita no futuro. Desorganizada. Dança como se ninguém estivesse olhando. É alergica a cafeína. Sofre de insônia, enxaqueca, gastrite, dores nas costas e sincose vaso-vagal, mas vai sobreviver. O suficiente pra infernizar a tua vida. Magra de ruim, vive fazendo dietas forçadas. Não sabe o que quer da vida, não se preocupa mais com isso. Não se preocupa mais com que os outros pensam dela ou das suas atitudes escrotas e inconsequentes. Odeia canela. Ansiosa. Passa horas com a tv no mute dublando os programas. Comunista. Apaixonada por discos, livros, filmes, lojinhas do centro e filosofia. Escreve cartas quase como um vício. Não nasceu pra cumprir horários, nem pra trabalhar. Abraça todo mundo o tempo todo. Reprova frequentemente no detran. Gosta de dias frios, com sol e céu azul. Irritante, confusa, esquentadinha, preguiçosa. Não come azeitona. Não anda de carro sem cinto de segurança e portas travadas. Pinta o cabelo compulsivamente. Antisocial, porém simpática. Neurótica. Não sabe mentir. Sensível demais. Egoísta, mas não mais que você. Instável. Fala sozinha. Cheia de manias. Cheia de segredos. Depois continua, nunca termina o que começa.





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